Trataremos da visão espiritual a respeito do suicídio. E, para começar, eu gostaria de apresentar a vocês um pensamento do poeta português Antero de Quental, um desses nossos irmãos em humanidade que, infelizmente, pôs fim à própria vida. E, depois, do mundo espiritual, contando a respeito desse fato, deixou esta frase:

“Um pouco mais de calma e a tempestade teria passado.”

Inicialmente, a pergunta que se faz é qual é o grande medo dos suicidas? Isto é, o que faz com que a pessoa se mate? E a resposta não pode ser outra senão que o grande medo do suicida é enfrentar os problemas que tem na vida. Então, para não enfrentar esses problemas ele foge. Resolve fugir da vida. E, se pensarmos bem, problemas que, às vezes, sequer aconteceriam, quando a pessoa, num gesto de desespero, resolve pôr fim à vida, numa afronta às Leis de Deus.

Pra começar, vamos entender o que é suicídio.

No dicionário, é o ato ou efeito de suicidar-se, matar-se. Também, no sentido figurado, é uma ruína que acomete a pessoa e no lúdico quando, durante o jogo de sinuca, a pessoa, sem querer, coloca a bola branca na caçapa. Claro está que, ao falarmos sobre a visão espiritual do suicídio, nos referimos à primeira definição.

LEI PENAL

Aqui no Brasil (e acreditamos que em boa parte do mundo) o suicídio não é penalmente punido, porque quando a pessoa sobrevive a qualquer ato de buscar a morte já sofre bastante. Todavia, nosso Código Penal, no artigo 122 incrimina aquele que induz, instiga ou auxilia no suicídio, com uma pena de dois a seis anos se o suicídio se consuma; ou reclusão de um a três anos para a tentativa da qual resulta lesão corporal de natureza grave.

A propagação das ideias materialistas é o veneno que introduz em muitos a ideia do suicídio, e os que se fazem apóstolos dessas ideias assumem uma responsabilidade terrível.

Vejam que no nosso Código Penal, as pessoas que induzem, que propagam, que ajudam, são apenadas, dependendo do resultado, com uma pena de 1 a 8 anos de prisão. E no mundo espiritual ninguém sai impune. A responsabilidade dessas pessoas que propagam que o suicídio é uma boa coisa, é vantajoso, é TERRÍVEL.

BÍBLIA

Como dizíamos, o suicídio é afronta grave à Lei Divina. Já no segundo livro da Bíblia, o Êxodo, capítulo vinte, nós encontramos os Dez Mandamentos. E no versículo treze desse capítulo, o sexto mandamento que diz:

Não matarás.

É um mandamento vago, porém bastante amplo. Vago porque é curtíssimo nas palavras – não matarás. Todavia amplo, porque seu entendimento vai além do que se pode imaginar, numa leitura desatenta.

As formas de matar são: Homicídio; Aborto; Eutanásia; Suicídio.

Durante muito tempo, esse não matar foi entendido apenas como não matar o próximo, não matar o semelhante. Hoje, porém, já entendemos que se aplica também ao suicídio, porque a pessoa está matando uma obra, uma criação de Deus. E só Deus tem o poder de tirar a vida.

EVANGELHO

No Evangelho de Jesus, segundo Mateus, capítulo quinto, dentro do Sermão da Montanha, na parte dos versículos 21 a 26, Jesus fala sobre o não matar. Nos versículos 21 e 22, diz:

Aprendestes o que foi recomendado aos antigos: Não matarás; e: quem quer que mate, estará sujeito a julgamento. E eu vos digo que quem quer que se encha de cólera contra seu irmão, estará sujeito a julgamento;

Ele está condenando a atitude de matar. Mas não é só matar o próximo, matar o semelhante ou matar um animal, mesmo que seja para alimentação; é, também, matar-se, ou seja, suicidar. Quem o fizer, estará sujeito a julgamento. E quem é que vai julgar a pessoa que comete suicídio, matando-se? Quem é que a pune? É digno de punição? Sabemos que a punição é dada pela Lei de Deus, que dará a cada um de acordo com as suas obras.

APOCALIPSE

Temos, na Bíblia, o livro Apocalipse de Jesus. Neste livro há um versículo interessante dentro desse tema. Aparece no capítulo 9, versículo 6, dentro da narrativa referente a quinta trombeta:

Naqueles dias os homens buscarão a morte e não a acharão; também terão ardente desejo de morrer, mas a morte foge deles.

Uma imagem que podemos criar para ilustrar: imaginemos a figura da morte com a capa, a foice, fugindo de alguém; a pessoa correndo atrás dela e ela fugindo. É uma imagem curiosa. Isto implica que as pessoas, diante do sofrimento que o livro Apocalipse anuncia – sofrimento criado pela própria humanidade, diga-se de passagem –, buscarão morrer, achando que na morte estarão livres dos problemas. Mas a morte fugirá delas.

A MORTE NÃO EXISTE

A espiritualidade nos orienta o seguinte: NINGUÉM MORRE ANTES DO TEMPO, NEM MESMO O SUICIDA. Por quê?

Por uma razão muito simples: A morte, meus amigos, não existe! Então, se a morte não existe, como é possível alguém morrer antes do tempo?

Por que a morte não existe? Porque somos espíritos eternos, nós temos a vida eterna. A morte é apenas uma transferência de planos, ou seja, deixa-se a vida material e retorna à espiritual. Retorna, porque é de onde todos nós viemos. E para ela temos que retornar, inapelavelmente. Como diz o poeta Fernando Pessoa é a curva da estrada. Ou é como alguém muito querido que vai viver noutro país, a gente não vê mais a pessoa. E ela morreu por causa disso? Não! Nós podemos continuar falando com ela; hoje, a todo instante, aliás, com as redes sociais. A mesma coisa acontece quando alguém desencarna. Nós podemos continuar em contato com essa pessoa, basta que estudemos e aprendamos as formas adequadas dessa comunicação.

Aquele que se mata, julgando encontrar na morte física a solução dos seus problemas, engana-se totalmente, porque vai se deparar com a vida eterna, e uma vida – nesse caso – repleta de sofrimentos. Isso ninguém quer, ninguém quer sofrer. Mas o sofrimento faz parte da nossa vida. E ele vem como expiação ou como prova. Expiação porque estamos resgatando nossos delitos passados. E provas quando queremos nos provar, nos testar na nossa capacidade.

CONSEQUÊNCIAS

A primeira consequência a que o suicida não escapa é o desapontamento.

Por quê?

Inicialmente por se encontrar vivo, não ter acabado com coisa alguma, não ter morrido. Depois, as outras consequências que fazem com que a pessoa caia num arrependimento muito grande – como veremos adiante. É o que pode ser constatado quando estudamos os livros espirituais que tratam deste assunto.

Se excetuarmos os suicídios que se verificam por força da embriaguez e da loucura, os quais podemos chamar de inconscientes, é certo que, quaisquer que sejam os motivos que levam a pessoa ao suicídio, a causa geral é sempre o descontentamento.

Por isso que o espiritualista tem várias razões para opor à ideia do suicídio. Vejamos algumas delas:

– a certeza de uma vida futura, na qual ele sabe que será tanto mais feliz quanto mais infeliz se mais resignado tiver sido na Terra. Ora, por problemas todos nós passamos, dificuldades todos nós enfrentamos. Todos nós. Por que vamos sucumbir diante de uma dificuldade? Ou na expectativa de uma dificuldade, de um problema que, talvez, nem aconteça? Por exemplo: vou ter que atravessar a rua, mas se vier um carro e me atropelar, eu morro, então vou me matar pra não morrer atropelado. Será que ia morrer atropelado?

– a certeza de que, abreviando sua vida, chega a um resultado inteiramente contrário ao que esperava. Narram os livros espirituais que aqueles que se matam, por exemplo, para irem ao encontro de um ser querido que morrera não o encontram. Por mais que procurem não o encontram em lugar algum. Com seu ato tresloucado adiam em muito tempo esse reencontro;

– que foge de um mal, de um problema para cair noutro ainda pior, mais demorado e mais terrível;

– que se engana ao pensar que vai mais rapidamente para o céu;

– a certeza de que o suicídio é um obstáculo muito grande à reunião, no outro mundo, mundo espiritual dos seres que se amam.

E o suicídio mais severamente punido é aquele resultado do desespero. Desespero advindo da incapacidade para lidar com os problemas, com as dificuldades que, em todas as situações, vêm para o nosso bem, por meio das provas e expiações, que nós – enquanto espíritos eternos – assumimos antes de reencarnar.

O suicídio, porém, não se resume, não se reduz ao ato fatal que põe fim à vida, mas em tudo – prestem atenção a isso, porque é muito importante – que façamos para apressar a extinção da vida física, das forças vitais.

Em contrapartida, não se pode chamar de suicida a pessoa que voluntariamente se expõe à morte para salvar o seu semelhante, por duas razões: primeira, porque, no caso, não há intenção da pessoa de fugir da vida, fugir de algum problema. Segunda, porque não há mal que possa nos acometer que não possa ser afastado pela Providência. Quantas vezes as pessoas se expõem a perigo, até de morrer, para salvar outra pessoa, entrando na frente de um tiro, na frente de uma faca – seja o que for – e não é, sequer, ferida! Porque a Providência agiu.

E, novamente, quem é que vai julgar? Deus. É Ele quem vai julgar, porque vê tudo e tudo sabe. Ele verá no fundo do nosso coração, no fundo da alma qual é a verdadeira intenção da pessoa que se expôs à morte.

Depois do suicídio, a punição a que o espírito é submetido pode durar quanto tempo? Ele não sabe, ninguém sabe. E como ficamos angustiados quando não sabemos quanto tempo durará um sofrimento nosso, uma dor de dente, por exemplo! A gente sofre com isso. E esse sofrimento do suicida pode ser comparado com as chamas do inferno, com essa figura das chamas do inferno, queimando constantemente.

Aqui um trecho da palavra de um suicida: “Confesso que não ganhei grande coisa: libertei-me dos cuidados materiais, porém, para encontrá-los mais graves e penosos na condição de Espírito, da qual nem sequer prevejo o fim”.

Há as consequências imediatas e as de prazo médio. Mas não acabam por aí.

As imediatas são aqueles que o espírito sente logo após o ato. Os efeitos do suicídio não são idênticos, mas alguns são comuns a todos: a persistência prolongada do laço que une o espírito ao corpo por haver provocado seu rompimento na plenitude da sua força, ao passo que na morte natural este laço se enfraquece aos poucos e, às vezes, se rompe antes que a vida se acabe.

As consequências deste estado de coisas começam pelo prolongamento da perturbação espiritual.

Em alguns, a ligação que há entre o espírito e o corpo produz uma espécie de repercussão, sendo que o espírito, de onde estiver, sente a decomposição do cadáver, resultando numa sensação dolorosa, angustiosa e horripilante. E este estado pode durar pelo tempo que devia durar a vida que foi interrompida.

Noutros, acontece a espécie de ligação ao cadáver da qual o espírito, presidiário na sepultura, procura, inutilmente, sair dali, se desembaraçar e voar para locais melhores – mas estes locais mantém suas portas fechadas para ele: Os obstáculos fluídicos equivalem a obstáculos materiais, a portas fechadas que não se abrem.

Sofrimentos considerados físicos por constatar haver feito coisa inútil e sem volta, pois só encontram decepções.

Segundo Ramatis, estas não são as piores consequências, porque estas dores têm tempo determinado para seu término, geralmente quando atinge o limite que restava para viver na Terra.

A médio prazo, as angústias não se esgotam na situação de terror em que o espírito se vê mergulhado logo após o suicídio. Elas repercutem, pois as dívidas contraídas terão de ser liquidadas a qualquer custo. Depois de certo tempo no Espaço, o espírito projeta nova viagem à Terra em novo corpo, em nova encarnação. Nesta, os sofrimentos serão ainda mais pesados que os da vida anterior, pois está acumulada de carga dupla a ser resgatada: a carga da encarnação interrompida pelo suicídio, ou seja, o motivo do qual ele fugiu; e mais este consequente do ato suicida, isto é, os danos físicos provocados pela lesão do períspirito, por ocasião da morte provocada.

Esta é, portanto, a segunda consequência que um suicida enfrenta: nova vida sobrecarregada de sofrimentos.

O espírito culpado não pode escapar aos efeitos daninhos e enfermidades que se prolongam. Se os suicidas em potencial pudessem entrever, por um único minuto, o panorama e a situação pavorosa que os aguarda após a fuga covarde acabaria neles, definitivamente, qualquer traço de rebeldia. O suicida é um rebelde que se compromete para o futuro, após haver escolhido, em sã consciência, o corpo e as provas que considerou serem as melhores para sua passagem pela Terra.

Como consequência do número crescente de suicídios, o mundo material se povoa de criaturas torturadas que, desde o berço, arrastam suas deformidades ou gemem sob as dores de moléstias incuráveis.

Além dessas, há as consequências planetárias. São os atos de outras pessoas que seguem os suicidas, quando estes aparecem como heróis. Além disso, os que destes dependiam sofrem a solidão, o abandono e a miséria, e, muitas vezes, são arrastados para os caminhos do vício, da marginalidade, da criminalidade.

Segundo Chico Xavier, um suicídio desestrutura o destino daquele que se mata e também de tantas outras pessoas – nascidas e por nascer – que demora, às vezes, mais de um milênio para que tudo se normalize! E ai de quem provoque um dano no progresso planetário!

A pessoa suicida quer gritar que está ali, ela vê o corpo estraçalhado, em frangalhos, quer falar, pegar as pessoas, sacudir, dizer que está viva, que não morreu. Ninguém ouve, ninguém vê. Passado algumas horas as pessoas vão para suas casas. E a suicida continua ali, sozinha, constatando que ninguém está chorando por ela, já caiu no esquecimento.

E quando os suicidas aparecem como heróis e outros querem imitar o ato, é outro perigo. Além disso, o suicida põe a perder uma série de coisas: afeta a vida material e vida espiritual, porque há espíritos que haveriam de nascer dele. Os familiares ficam legados ao abandono, os filhos órfãos, os pais desamparados. De repente a pessoa que se matou tinha uma missão a desenvolver em benefício da humanidade. E como que fica isso? Olha a consequência deste ato. Por isso que não se deve alimentar essa ideia. É uma afronta contra a Lei de Deus. Quem faz isso só encontra coisas terríveis pelo caminho.

As pessoas que defendem o suicídio dizendo que são donas do corpo estão enganadas, pois não são donas de corpo algum. Vão ter que prestar contas ao verdadeiro dono – que é Deus.

Pode alguém prejudicar o caminhar das Leis Universais? Pode, por orgulho, vaidade, vingança [ou qualquer motivo que seja] intrometer-se no desenrolar da vida e safar-se, deixando filhos órfãos de afeto? Pais no desespero? Desequilibrando a organização cósmica?

Por isso há que se pensar se é ou não merecida toda e qualquer punição espiritual aplicável a um suicida.

MOTIVOS

A pessoa pensa em suicídio quando não vê esperança na vida, então acha que o suicídio vai resolver seus problemas. Todavia, quando vê esperança na vida, no futuro, sabendo essas coisas, ela muda sua concepção e passa a acreditar mais na vida, no futuro, mesmo diante dos problemas, mesmo diante das dificuldades. Porque ela sabe que se fugir daquele problema, vai encontrá-lo cem vezes pior. Esse conhecimento já é suficiente pra ela.

Para quem se julga infeliz, não merecedor do local em que vive, não merecedor do tratamento que recebe do próximo, preste atenção ao que diz Camilo Castelo Branco – outro escritor português que cometeu esse ato. Sabendo que um amigo seu, o também escritor Silva Pinto queria cometer o mesmo ato, mandou-lhe uma carta por um médium, na qual aconselha o seguinte:

“Pensa! Reflete! Experimenta! Coloca uma planta num vaso limpo, com terra perfumada – e esta planta nem chegará a lançar raízes. E coloca planta idêntica em vaso com excremento imundo, terra apodrecida – e ela vegetará, elevará seus ramos para o céu!

Percebam que imagem de esperança. Às vezes, nos sentimos não merecedores do que nos acontece. Então, até pensamos em nos matar por causa disso: as pessoas não me compreendem. Vão ver. Vão chorar amargamente. Ledo engano! Não é assim. Então, se a planta nos dá essa lição de que é no adubo que ela prospera, que ela cresce, que se fortalece, nós também. É no meio das piores pessoas, dos lugares em que não somos bem tratados que podemos mostrar nosso real valor. Desistir por causa dos outros, por causa de um ambiente e pôr fim à vida é uma loucura.

Aqui, outro exemplo: Mousinho de Albuquerque (quase lendário guerreiro português em guerras na África) diz o seguinte, do mundo espiritual:

“Não é a morte voluntária a porta por onde se pode fugir aos sofrimentos. Além de não se poder fugir às dores já existentes, ainda se vai ao encontro de novas torturas; o mal se avoluma, se agiganta”.

A alma encontra sofrimentos maiores. Voltemos a Antero de Quental:

A tentação do suicídio é um pesadelo que nos toma acordados. Apossa-se de nós, nos domina sem nos deixar pensamento algum de esperança. Aquele que quiser reagir acordará deste pesadelo e reagirá. Não é preciso muita energia; basta um pouco de boa vontade e confiança em Deus”.

Qualquer um pode reagir à ideia do suicídio. E ele ainda diz:

Dizem que o suicídio não é covardia! O suicida foge da vida. E quem foge é um covarde!”

Quem foge da vida é covarde, quem foge da luta é covarde.

Não se diga também que, para o suicídio, é preciso coragem. Não! Quem se mata não busca a morte. Busca é uma libertação para o sofrimento e a fuga da luta que não somos fortes para sustentar.”

É um covarde, sim! Não pensem que suicida é herói. Não é não! É covarde! É um péssimo exemplo que se dá.

Continua Antero:

O suicídio é a suprema fraqueza, a suprema falta de coragem!”

E Ramatís:

Boa parte dos suicidas já o foram em outras encarnações. Em sua memória astral há lembrança do ato extremo praticado e estes ecos enfermiços são estímulos perigosos que buscam a mais ligeira invigilância espiritual para se infiltrarem em seu psiquismo e o desequilibrar.

“Mesmo não sendo suicidas em vidas anteriores, há quem nasça com pesada carga de expiação devido aos débitos anteriores. geralmente nascem em famílias onde já se encontra um adversário do passado na pessoa do pai, da mãe, ou de outro membro da família, com o qual é preciso conviver para o necessário desagravo de culpas e reconciliação.”

Por isso que Jesus diz: Reconcilia-te com teu adversário enquanto estás no caminho com ele.

Além disso, inimigos de outras vidas [de outras encarnações], desencarnados, conseguem agir com certa liberdade obsidiando a criança, caso a família terrena não busque proteção religiosa.

Assim, o espírito da criança ‘advinha’ as provas futuras e entra em melancolia; não tendo forças para reagir aos inimigos encarnados e aos desencarnados, sucumbe à carga de estímulos.

– Há quem busque o suicídio para se juntar ao ser amado que morreu. Ah, se soubessem que, assim, sem fé, sem paciência, sem resignação, sem confiança em Deus, estão adiando esse reencontro, não fariam isso. Ir ao encontro do ser amado por via do suicídio, não o encontrará em lugar algum. A pessoa procura, procura, e não o encontra. É o castigo para quem faz isso.

– Orgulho, vaidade, fama são outros motivos que levam a pessoa ao suicídio. Também pode-se incluir dinheiro e pobreza.

Então Ramatis esclarece:

Geralmente as pessoas bem sucedidas atribuem a si próprias – e não a Deus – o mérito de seu sucesso. Daí [se julgam] não precisarem de religião, descrerem da sobrevivência da alma, verem em Jesus somente uma figura folclórica já gasta” [quando Ele é a figura mais importante que já passou por este mundo].

Essas pessoas são presas fáceis do suicídio, certas de que o mundo as chorará eterna e inconsoladamente!” Ledo engano, terrível engano.

Em encarnação futura, a Lei do carma vai ajustá-las, apagando esse brilho para que não voltem a cometer o mesmo ato.

Nesta classe, pode-se relembrar o haraquiri, que é uma espécie de suicídio, o qual dizem que é para demonstrar honra, a pessoa se mata por honra, na concepção japonesa dos antigos samurais.

É importante, meus amigos, saber que nas Leis de Deus ninguém escapa, ninguém paga o que não deve, ninguém paga dívida alheia, ninguém paga mais do que deve, ninguém fica devendo coisa alguma. É o velho ditado: Deus não bate prego em parede errada.

Você pensa que está sofrendo? Pensa que não merece o que acontece com você?

Leia o que diz Ramatís:

Tudo o que acontece tem uma causa, nada acontece ao acaso. Sempre que ocorre sofrimento “sem motivo, sem que se mereça”, é preciso buscar sua causa mais além [noutra existência], porque quem semear espinhos não colherá morangos”.

– Obsessões: quando o homem é perseguido pelos antigos adversários desencarnados com o objetivo de expulsar-lhe o espírito do corpo. Cada ponto fraco do homem é analisado pelos obsessores que, quando encontram um ponto fraco é sobre ele que atuam com os recursos mais vis e implacáveis, a fim de levá-lo ao desespero e ao suicídio. Podemos ver como eles atuam, lendo o livro Aconteceu na Casa Espírita.

Aí, vem o Evangelho em nosso socorro. Que é que Jesus diz? A pessoa passa por uma obsessão, se livra dela, é semelhante a uma casa, da qual se expulsa o mau, a casa é limpa e arrumada. Tempos depois, esse mau que vagava sem rumo volta a casa, encontra-a limpa, porém não vigiada, ele entra e, pior, traz outros consigo e levam a casa à ruína. (Mateus 12: 43-45 e Lucas 11: 24-26). Orai e vigiai para não cairdes em tentação, pois esta é a orientação do Mestre Jesus.

SUICÍDIO INVOLUNTÁRIO

É aquele que leva para as regiões abismais, todos os dias, milhares e milhares de almas. Todos os dias – repetimos.

Nesse caso, não se diz que a causa da morte foi suicídio, mas foi. Porque a própria criatura promoveu a morte. E é involuntário porque fez isso sem querer.

A bebida, o jogo, o cigarro, as drogas, a alimentação forte, o sexo desregrado e o aborto provocado que abrevia a vida da mulher, são algumas atividades danosas que conduzem a alma ao abismo. Tal morte é, também, levada em conta de suicídio – “não aos homens da Terra, mas aos olhos de Deus”.

É o exemplo do espírito André Luiz, que escreveu Nosso Lar, pela mediunidade de Chico Xavier.

Médico importante na cidade do Rio de Janeiro, morreu de câncer nos intestinos. Lutou até o fim contra a morte, recebeu todos os cuidados médicos. Queria viver. No entanto, no início de sua narrativa, descreve as vozes horrendas, os obsessores, a região escura como que envolta em neblina – e o chamavam de suicida.

Mas não fala em ter sido prisioneiro de um local pavoroso constituído de cavernas – o Vale dos Suicidas – nem narra os tormentos de repetir o gesto derradeiro, nem as cenas finais reproduzidas pelos demais suicidas.

Ele não se matou, mas o chamavam de suicida. Por quê? Nem ele mesmo entendia.

Só mais tarde, quando resgatado, ouviu as explicações: tudo causado por suas leviandades. Nunca imaginou que a cólera fosse uma fonte de forças negativas. A ausência de autodomínio, a rudeza no trato com os semelhantes ofendendo-os até sem querer, agravou em muito o seu estado físico. Teve o fígado maltratado pela bebida. O aparelho gástrico inteiramente destruído pela alimentação pesada e ingestão de álcool. Por fim, a sífilis devorou-lhe o resto das energias. E ficou por oito anos nas regiões inferiores do espaço até poder receber socorro. Significa que deveria ter vivido ainda mais oito anos para completar sua estada na Terra.

E quantos são vitimados pelos cigarros, pelas bebidas alcoólicas, pelo estresse, pelo ataque cardíaco decorrente da falta de cuidados e pelo aborto? Quantos exemplos de morte por overdose! Principalmente jovens!

AMPARO DE DEUS PELA PRECE

Em contrapartida, Deus não desampara ninguém e quando alguém, na Terra, dirige a Ele uma oração ou um pensamento de paz em favor dos suicidas, estes têm um momento de trégua em seus sofrimentos.

Em razão disso, colocamos, ao final, a Oração pelos suicidas, encontrada no Evangelho Segundo o Espiritismo. Provavelmente vocês conhecem alguém que cometeu este ato, ou não conhecem, mas têm conhecimento. Não importa. Vamos orar do mesmo jeito. Porque o espírito sofre muito após o suicídio, por ficar ligado ao próprio corpo sem poder se mover, vendo sua decomposição, os vermes comendo suas carnes e as dores terríveis; Remorso por ter feito uma coisa inútil e sem volta; vergonha pelo terror da nudez, principalmente mulheres, no momento da necropsia; ter a sensação de ser enterrado vivo; espíritos malfeitores se aproveitarem da condição, principalmente das mulheres (suicidas) sem noção de moralidade, respeito ou piedade; encontrar, do outro lado, exatamente o oposto daquilo que desejavam; não conseguir sair do lugar em que se suicidou e passar a repetir o gesto suicida e a sofrê-lo, indefinidamente – é o chamado presídio no lugar da morte; a presença de seres que parecem demônios, rindo, exortando à prática suicida; a lembrança dos seres queridos que ficaram desamparados na terra; e a repetição da cena rolar indefinidamente, a todo instante a mesma coisa, milhões de vezes, sempre, sempre, sempre; e tudo se repetindo, como nos filmes “Feitiço do tempo” e “No limite do amanhã”, que mostram a vida da pessoa presa no mesmo dia ou no mesmo fato. Por quanto tempo? Não se sabe. Anos, longos anos, sem dia, sem noite, sem descanso, sem tréguas – até que é esgotado o tempo que a pessoa deveria viver sobre a terra. Só então pode ser removida para outro lugar, onde passa das dores físicas para as dores morais do remorso, do arrependimento – dores mais profundas e dolorosas que as primeiras…

A mensagem para todos que têm parentes, amigos, nessa condição, é: Não estão perdidos para sempre, pois continuam vivos;

Vivos e pedindo orações, pedindo preces. É isso que vamos fazer. Se você conhece alguém que se matou, envolva-o nesta prece, pois a oração é o melhor meio de aliviar suas dores:

PRECE

Deus clemente e misericordioso, que a vossa bondade se derrame sobre todos os espíritos que se recomendam às nossas preces, e particularmente sobre o Espírito de Fulano. Bons Espíritos, que tendes o bem por ocupação única, intercedei comigo a favor deles! Fazei brilhar aos seus olhos um clarão de esperanças, e que a divina luz os esclareça quanto às imperfeições que os afastam dos bem-aventurados. Abri os seus corações ao arrependimento e ao desejo de se purificarem, para apressarem o seu adiantamento. Fazei-os compreender que, pelos seus esforços, podem abreviar o tempo de suas provas. Que Deus, na sua bondade, lhes dê a força de perseverarem nas suas boas resoluções! Possam estas palavras amigas suavizar-lhes as penas, mostrando-lhes que há, sobre a Terra, quem deles se compadece e lhes deseja toda a felicidade.

E pelos que se mataram e não conseguem pronunciar uma oração, nosso pedido ao Pai Celestial: “Meu Deus, perdoai-me por ter duvidado da vossa justiça e bondade; se me punistes, reconheço merecida a punição. Dignai-vos aceitar meu arrependimento e submissão à vossa santa vontade”.

CONCLUSÃO

Deus a todos vê e ama, aguardando o auspicioso momento de se apresentar. De nós depende abreviar ou retardar esse momento.

Aquele que se mata, buscando encontrar na morte física a solução dos seus problemas, engana-se – como também se engana aquele que promove tal prática –, porque só estará adiando o fim do conflito, ao passo que cria outros problemas, que deverão ser reparados diante da Lei de Deus.

Não aceita? Você tem seu livre-arbítrio, mas não queira pagar pra ver. Não se deixe arrastar nesse turbilhão de sofrimentos.

A morte física representa somente a mutação de ambiente, pois a alma carrega consigo todos os desafios, todos os sentimentos, todas as angústias e, claro, todas as alegrias e esperanças.

Ser feliz ou não, depende exclusivamente dela mesma, pois a Lei Divina é bastante clara ao impor que a cada um será dado de acordo com as suas obras (Apocalipse, 20: 12).

Ninguém se iluda – afirma Paulo Apóstolo na epístola aos Gálatas, cap. 6, versículo 7. De Deus não se zomba; aquilo que o homem semear terá de colher.

Que Deus ampare a todos, ilumine a mente de todos.

Salve Jesus! Salve Maria Santíssima!

-Por Paulo de Morais

BIBLIOGRAFIA

BÍBLIA SAGRADA. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Sociedade Bíblica do Brasil.

HOUAISS. Dicionário eletrônico da língua portuguesa.

KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Tradução de J. Herculano Pires. 11ª ed. São Paulo: LAKE, 2004.

KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de J. Herculano Pires. 60ª ed. São Paulo: LAKE, 2005.

KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Tradução de J. Herculano Pires. São Paulo: edições FEESP. 7ª edição. 1994.

LIMA, Cleunice Orlandi de. Depois do suicídio. São Paulo: DPL, 1998.

PEREIRA, Yvonne do Amaral. Memórias de um suicida. Pelo espírito de Camilo Cândido Botelho. Rio de Janeiro: FEB. 1954.

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