Você é daquelas pessoas que preferem dinheiro vivo ou faz parte do grupo que prioriza movimentar por intermédio de outros meios, como os eletrônicos? Às vezes essa escolha não depende exclusivamente da nossa vontade, mas sempre acabamos movimentando alguma coisa, nem que seja o mínimo possível, em espécie (como também é chamado o dinheiro “vivo” no Brasil, ou em cash, como muitas pessoas que aderiram à modinha de chamar dinheiro, no idioma inglês). Por isso é sempre válido saber como identificar se as notas que passam pelas nossas mãos são verdadeiras ou não uma vez que, infelizmente, tem sido comum a prática de receber notas falsas. O artigo desta semana vai te ajudar nessa questão e traz também outras informações relacionadas a esse assunto, que podem influenciar o nosso cotidiano.

Vamos começar com alguns dados oficiais: conforme informações do Banco Central (de agosto/2019) a nota falsificada que tem sido mais apreendida pela instituição é a de cem Reais, seguida pela de cinquenta e a de vinte. As informações completas estão inseridas neste artigo (um pouco adiante) e você vai poder, inclusive, verificar qual o Estado brasileiro em que há mais análise e apreensão.

Uma outra informação importante, essa para você que está fechando algum negócio de um valor bacana e que vai receber ou pretende pagar em cash (chique o termo, não?): desde o ano passado quando se faz uma transação em espécie a partir de R$ 30 mil, existe a obrigatoriedade de declarar o valor ao Fisco (que é o órgão público responsável por determinar e arrecadar impostos), nesse caso, a Secretaria da Receita Federal. Essa declaração é preenchida pela internet por meio do formulário eletrônico “Declaração de Operações Liquidadas com Moeda em Espécie (DME)”, disponível no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) no endereço eletrônico da Receita: http://rfb.gov.br. O prazo é até o último dia do mês seguinte ao recebimento em espécie. Segundo o órgão, o intuito é coibir possível sonegação, corrupção e lavagem de dinheiro (por exemplo: alguém com dinheiro ilícito que tenta comprar um bem ou serviço lícito e assim transformar o dinheiro “sujo” num bem final “limpo”); a intenção é também identificar como esses recursos estão sendo utilizados no processo de liquidação (ou seja, o destino dos valores). Caso a declaração não seja feita, há o risco de pagamento de multa e problemas na declaração do Imposto de Renda, por exemplo. Se a movimentação for realizada em moeda estrangeira o valor em Real será calculado tendo como referência a cotação de compra dessa moeda estrangeira no dia anterior ao recebimento. E é bom lembrar que transferência bancária, cartões e cheques, por exemplo, são representações de dinheiro, mas não são considerados transações em espécie.

Voltando ao tópico de como identificar se a cédula que passa pelas nossas mãos é verdadeira: abaixo seguem informações detalhadas que podem nos ajudar; e se você movimenta muito dessa maneira até vale a pena imprimir o material.

 

 

 

As dicas são do Banco Central (Bacen) e podem ser encontradas nos endereços eletrônicos:

https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/legado?url=https:%2F%2Fwww.bcb.gov.br%2Fhtms%2Fmecir%2Fseguranca%2Froteiro.asp%3Fidpai%3Dcedsusp

https://www.bcb.gov.br/novasnotas/assets/downloads/material-apoio/2e5/Folheto_br.pdf

Quando existe uma suspeita de que uma cédula é falsa, a nota é enviada para o Bacen para análise e o envio é feito pelos Bancos: se a nota for verdadeira o valor é devolvido para a instituição financeira e consequentemente o cliente é ressarcido, caso contrário ela fica retida. Desse conjunto de dados o Bacen publica em seu site o ranking, por Estado, das falsificações de acordo com as notas recebidas e analisadas (são esses os dados que falei, no início do artigo, que compartilharia com você):

 

O site onde estão esses dados é o https://dadosabertos.bcb.gov.br/dataset/falsificacoes-por-ano-e-por-estado

É sempre bom lembrar que a falsificação de dinheiro é crime previsto pelo Código Penal.

Se numa transação do dia a dia você desconfiar da autenticidade de uma nota após observar os elementos de segurança ou comparar com outra cédula legítima, você pode recusá-la. É importante sempre recomendar ao dono do dinheiro suspeito que procure uma agência bancária para encaminhamento da nota para ser analisada pelo Banco Central. Se ao sacar no caixa eletrônico ou terminal de auto atendimento você perceber que recebeu uma nota que suspeita que seja falsa:

  • dentro de uma agência bancária e durante o expediente – encaminhar-se ao gerente da agência para pedir providências de pronta substituição. Se não obtiver solução satisfatória com o gerente do banco, o cidadão pode procurar uma delegacia policial mais próxima para registrar uma possível ocorrência.
  • fora de uma agência ou do horário do expediente bancário – na primeira oportunidade, dirigir-se ao gerente de sua agência bancária para pedir providências de pronta substituição. Se não obtiver solução satisfatória com o gerente do banco, o cidadão pode procurar uma delegacia policial mais próxima para registrar uma possível ocorrência.

Olha que interessante essa informação: para as novas gerações não faz tanto sentido levar notas e moedas na carteira, já que existe a possibilidade de movimentar recursos por intermédio de dispositivos eletrônicos. Para se ter uma ideia, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) o número de movimentações financeiras por intermédio de ferramentas digitais subiu de 4,4 bilhões em 2016 para 5,3 bilhões em 2017. Esse movimento se dá pela praticidade e segurança que essas tecnologias apresentam. Esse movimento de digitalização tem sido acompanhado pelo Banco Central, com dados que impressionam: em 2017 o uso de cartões de crédito e débito evoluiu de 5,2 bilhões para 14,3 bilhões; já as operações realizadas por celular ou outros aparelhos cresceram de 96 milhões para 24,5 bilhões no mesmo período. Em contrapartida, dados do Bacen também informam que atualmente existe cerca de 6,27 bilhões de cédulas em circulação, o que equivale a R$ 237 bilhões, e que esse é um número que vem aumentando, pois se comparado com 2011 havia naquela época em circulação 4,48 bilhões de notas num volume de R$ 136,11 bilhões.

É muito dinheiro em circulação e a importância de estarmos atentos se torna redobrada na época de final de ano e em períodos em que há um aumento das vendas no comércio, a exemplo de datas comemorativas como o dia das crianças que é no mês que vem.

Acredito que pude compartilhar com você informações necessárias para identificar se as notas que estão na sua carteira são verdadeiras e também para que possa perceber que há espaço para todos os gostos nas transações monetárias, seja em espécie ou nas outras maneiras de transacionar seu dinheiro, uma vez que a tecnologia avança assim como a impressão do papel moeda (como também é chamado o dinheiro “vivo”). O importante é ter dinheiro para ser movimentado e que você tenha dados suficientes para determinar a escolha que mais se adequa às suas necessidades e preferências. Até a próxima!

 

– Por Débora Nascimento
Economista

 

Fonte de informações:

https://g1.globo.com/economia/noticia/recebimentos-de-r-30-mil-ou-mais-em-especie-terao-de-ser-declarados-ao-fisco.ghtml

https://www.solarisempresa.com/artigo/cruzamento-de-dados-da-receita-comeca-dar-resultado

http://www.methodus-rs.com.br/dme-declaracao-de-movimentacao-em-especie/

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,receita-tera-de-ser-informada-de-transacoes-em-especie-acima-de-r-30-mil,70002135450

https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2019/02/24/internas_economia,1033206/papel-moeda-e-nova-especie-em-extincao.shtml

https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/legado?url=https:%2F%2Fwww.bcb.gov.br%2Fhtms%2Fmecir%2Fseguranca%2Froteiro.asp%3Fidpai%3Dcedsusp

https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/legado?url=https:%2F%2Fwww.bcb.gov.br%2Fhtms%2Fmecir%2Fseguranca%2Fcomoagir.asp

https://extra.globo.com/noticias/economia/veja-que-fazer-ao-receber-ou-sacar-uma-nota-falsa-de-dinheiro-19545285.html

https://www.infomoney.com.br/onde-investir/noticia/7187376/movimentacoes-partir-mil-terao-ser-declaradas-receita-federal

https://jus.com.br/artigos/63174/transacoes-financeiras-acima-de-r-30-mil-deverao-ser-informadas-a-receita-federal-a-partir-de-janeiro-de-2018

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