Relata-se em textos árabes antigos, sobre um sábio que viveu no Egito antigo chamado Hermes Trismegisto ou Hermes, o Três Vezes Grande, sendo esse o nome dado pelos alquimistas, neoplatônicos e místicos ao deus egípcio Thot, que é identificado como o deus grego Hermes. Os textos mais importantes atribuídos a Hermes Trismegisto são os da Tábua de Esmeralda e os textos do Corpus Hermeticum.

Toth simbolizava a lógica organizada do universo. Era relacionado aos ciclos lunares, cujas fases expressam a harmonia do universo. Referido nos escritos egípcios como “duas vezes grande”, era o deus do verbo e da sabedoria, sendo naturalmente identificado como Hermes. Na atmosfera sincrética do Império Romano, deu-se ao deus grego Hermes o epíteto do deus egípcio Toth.

Hermes Trismegisto é mencionado primordialmente na literatura ocultista como o maior de todos os sábios egípcios, o grande criador da Alquimia, além de desenvolver um profundo sistema de crenças metafísicas que hoje é conhecido como: Hermética.

“É loucura tentar explicar para o mundo aquilo que ele não está preparado para saber”

– Baseado no livro: O Caibalion ensinamentos de Hermes Trismegisto

Alquimia é uma ciência que busca purificar e aperfeiçoar certos objetos, como a transformação de metal em ouro. Na verdade, essa é uma analogia, visto que o verdadeiro objetivo da alquimia é o aperfeiçoamento pessoal através do autoconhecimento, nós somos o material que precisa ser lapidado. A astrologia estuda os movimentos, as posições dos planetas, e como isso afeta nossas vidas. Já a teurgia, é o uso da magia por meio da evocação ou incorporação de deuses ou espíritos.

Para alguns pensadores medievais, Hermes Trismegisto foi um profeta pagão que anunciou o advento do cristianismo. E segundo o Islã, este mestre era o próprio profeta Ídris (ou Enoch), mencionado diversas vezes no Alcorão e que viu Deus face a face graças à sua santidade.

“O Homem nada sabe; mas é chamado a tudo conhecer.”

-Hermes Trismegisto-

Entre as obras mais importantes associadas a Hermes também estão os textos compilados no Corpus Hermeticum e a Tábua de Esmeralda (Veja mais sobre a Tábua de Esmeralda no Link), que exerceram grande influência na filosofia grega do século III e que voltaram à tona durante a Idade Média e o Renascentismo, épocas em que os experimentos da alquimia estiveram em uso.

Em 1908, os princípios que regem todas as coisas foram reunidos no livro O Caibalion, escrito pelos Três Iniciados a partir dos livros de Hermes. O título do livro deriva da mesma raiz que levou ao termo “cabala” em hebraico, que significa “recepção”. Nele, se encontram as descrições das 7 Leis Herméticas que regem todo o universo e que serão resumidas a seguir.

As Sete Leis Herméticas

 

1 – O Princípio do MENTALISMO:

“O todo é Mente; o universo é mental”.

A primeira e mais importante lei hermética fala basicamente sobre o poder da mente. O universo em que vivemos e tudo o que cremos ser realidade é de natureza mental: a natureza, nossas ações, nossos corpos e todo o resto. Nós somos o que pensamos. Se pensamos coisas boas, coisas boas virão; se pensamos coisas ruins, elas ficarão mais próximas de nós em uma estrutura de forma-pensamento. O universo é um campo de energia mental em dimensões particulares.

2 – O Princípio da CORRESPONDÊNCIA:

“O que está em cima é como o que está embaixo. O que está dentro é como o que está fora”.

Na segunda lei hermética, compreendemos que para tudo existe uma correspondência no universo, seja no microcosmo ou no macrocosmo. Usando a Bíblia como exemplo, este princípio está refletido na analogia de quando “Deus cria os homens à sua imagem e semelhança”. Sendo assim, para compreendermos tudo aquilo que nos cerca, temos que olhar para a sua correspondência e seu padrão em outros lugares.

3 – O Princípio da VIBRAÇÃO:

“Nada está parado, tudo se move, tudo vibra”.

A terceira lei hermética é amplamente aceita pela ciência moderna e trata do movimento inerente ao universo. Tudo se move, pois tudo vibra. Tudo é composto de átomos em constante vibração. O movimento é o que leva a mudanças e as vibrações ocorrem em diferentes graus. Por meio das vibrações, podemos estar mais próximos do caos ou da harmonia, e isso pode ser controlado. Nas frequências mais altas estão aquilo que não é visto; nas frequências mais baixas estão as vibrações da matéria.

4 – O Princípio da POLARIDADE:

“Tudo é duplo, tudo tem dois polos, tudo tem o seu oposto. O igual e o desigual são a mesma coisa. Os extremos se tocam. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliáveis”.

Na quarta lei hermética, entendemos que vivemos em um mundo polarizado. Tudo tem uma dualidade: o quente e o frio, o claro e o escuro, esquerda e direita, bem e mal… Quando associamos o princípio da polaridade com o da vibração, porém, compreendemos que as dualidades são duas faces da mesma moeda – em graus diferentes. O escuro não é nada além da luz ausente; a saúde é ausência de doença. A dualidade é, também, a unidade.

5 – O Princípio do RITMO:

“Tudo tem fluxo e refluxo, tudo tem suas marés, tudo sobe e desce, o ritmo é a compensação”.

Na quinta lei hermética, entendemos que vivemos em uma dinâmica de ciclos. Tudo o que vai, volta, e vivemos em uma vibração eterna de atração e repulsão, de inspiração e expiração. Assim como podemos estar por cima, certamente voltaremos para baixo, e isso vale tanto para movimentos físicos como o dos astros, frequências mentais e padrões de relacionamento. Por meio da Neutralização, é possível conquistar maior estabilidade dos ritmos.

6 – O Princípio de CAUSA E EFEITO:

“Toda causa tem seu efeito, todo o efeito tem sua causa, existem muitos planos de causalidade, mas nada escapa à Lei”.

Na sexta lei hermética, compreendemos que as coincidências nada mais são do que acontecimentos nos quais as causas ainda não foram esclarecidas. Toda ação tem uma reação e nada é por acaso. Ao dominar os princípios desta lei, é possível ser o agente causador e não apenas sentir os efeitos, de modo que possamos propagar o bem. Quando tal mecanismo é dominado, nos tornamos mestres de nós mesmos.

7 – O Princípio de GÊNERO:

“O Gênero está em tudo: tudo tem seus princípios Masculino e Feminino, o gênero manifesta-se em todos os planos da criação”.

No último princípio hermético, entendemos que o gênero não está apenas naquilo que se reproduz fisicamente, mas também está em planos mentais, naturais e espirituais. Toda criação deriva de uma força masculina e feminina. Tudo o que existe pode ter gênero: seres humanos, planetas, árvores. Sabendo e internalizando este fato, podemos viver em maior plenitude.

 

Texto: Rafael Higa

 

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