Quando estamos numa planície e olhamos para o cume de uma alta montanha, julgamos fácil a subida, imaginamos que desistir é para fracos, para os que não têm vontade férrea, nem nos preocupamos com a bagagem que temos às costas (tantos pesos dispensáveis), e o que é realmente necessário tomamos o cuidado de dispensar. Iniciamos a subida, cheios de ‘vontade’ e ‘disposição’, olhando o alto e confiantes em nós mesmos. Sabemos que precisamos chegar lá e sabemos porque, e queremos, mas, em pouco tempo, as pernas começam a cansar, a bambear, e vamos mais devagar; com o tempo, quase paramos; damos um passo para frente e três para trás, escorregando pelas encostas da montanha íngreme. Então começamos a descrer de nós mesmos.

Nesse momento, parece que Deus envia seu anjo para nos dar uma força, mas quase não o conseguimos segurar nas mãos, não temos forças nem para isso. Ele nos olha pacientemente, complacente, mas não pode fazer mais nada. A nossa subida depende única e exclusivamente de nós. Ele, por mais que queira, não pode nos pegar no colo, é preciso deixar que escorreguemos até aprendermos a firmar os pés no chão e nos equilibrar para a subida. Ele torna a nos olhar e seu olhar nos transmite forças para não desistirmos de alcançar o topo. E no alto há um clima agradável, calmo, ameno; todavia, só os que lá chegam podem sentir tal conforto na alma. Não desista. Acredite nas tuas forças. Há alguém cuidando de ti, olhando por ti.

E quando chegar ao alto da montanha paramos? Não teremos outro objetivo? Devemos descer e voltar a viver na planície? É uma escolha pessoal. Se desejares isto, nada o impedirá…

… Ou podes tentar abrir as asas e voar.

Evoluir é como galgar uma montanha. A subida íngreme, cheia de desafios e obstáculos, as tarefas a ser realizadas durante a escalada, a fim de que se possa, cada vez mais, se chegar ao cume, tudo isso faz deste um processo árduo e cansativo.

Evoluir não é simples. Evoluir não é fácil. Mas é extremamente alcançável e, ainda mais: tem de ser feito. Aliás, esta é a recomendação de Jesus no decorrer do Sermão da Montanha, quando diz: “Sede vós perfeitos como perfeito é vosso Pai Celeste” (Evangelho segundo Mateus, 5:48). Este trecho é o que se pode considerar de Lei da Evolução, e ao longo deste post decorreremos bem mais a respeito do significado da lei e de tudo o que a envolve.

 

OS QUATRO EVANGELHOS E O TOPO DA MONTANHA

Diversos pensadores debruçaram-se sobre o versículo 48. Com um enfoque ainda maior acerca da jornada da evolução até a perfeição, Jean-Baptiste Roustaing, um dos iniciantes do método Espírita na França do século 19, no primeiro volume de “Os Quatro Evangelhos”, editado no Brasil pela Federação Espírita Brasileira (FEB), apresenta o que são chamadas de fases sucessivas das revoluções planetárias, que iremos explicar e dissecar nas próximas linhas.

Antes, porém, é preciso reconhecer que a autoria do texto em questão não é de Roustaing, e sim, de verdade, dos quatro evangelistas: Mateus, Marcos, Lucas e João. O papel de J.-B. Roustaing consistiu em ser compilador ou, para melhor entendimento, organizador do título, sendo a princípio, aquele a quem os evangelistas se dirigiam. Outro ponto que certamente gostaríamos de assinalar é que a obra, por não haver edições mais modernas e atualizadas, oferta uma linguagem complexa. Utilizamos a tradução de Guillon Ribeiro, datada de 1920. Abordamos isso porque se faz necessário entender o ponto do qual partimos para onde queremos chegar, afinal queremos também evoluir o texto.

Pelo que destaca o livro, que retomamos agora, a caminhada rumo à evolução é, de certa forma, “obrigatória”, pois o planeta Terra é local de constante transformação, orientada por Jesus, co-fundador do mundo. “O amor e o devotamento de Jesus tornaram e tornam cada vez mais ardentes os seus esforços (os esforços do Cristo) para vos conduzir ao ponto que deveis chegar: a perfeição”, conforme escrito em um dos trechos.

E segue: “perfeição, que alcançareis quando o vosso mundo (Planeta Terra) chegar ao estado fluídico puro, depois de haver passado do estado material (atualidade) a novos estados cada vez menos materiais e em seguida fluídicos” – o que nos leva a concluir que um fato depende do outro: só habitaremos um mundo fluídico quando formos perfeitos, o que significa dizer, deixarmos todos os sentimentos ruins que nos prendem ao solo (como no exemplo da escalada da montanha com que abrimos este texto) e só nos poderemos considerar perfeitos quando habitarmos mundos fluídicos.

Assim como a Terra, na sua fase de formação, saiu do estado de incandescência dos fluidos impuros e chegou progressivamente ao período material, passando pelas fases das sucessivas revoluções planetárias, o espírito que nela habita hoje também passou por diversas fases em sua formação. E ainda passaram por outras “revoluções”.

Por “revolução” pode-se considerar qualquer mudança ou transformação radical que modifique de forma drástica os costumes e aspectos da vida em sociedade. Dito isto, exclui-se desse conceito a rotação (movimento do planeta sobre seu eixo) e a translação (movimento dos planetas ao redor do sol). Nesse caso, podemos considerar “revolução planetária” o fim da Era glacial ou Era do gelo, a extinção dos dinossauros, o dilúvio (conforme narrado em Gênesis, VI, VII e VIII) e a Torre de Babel (também narrada no mesmo livro, 11). De acordo com a narrativa bíblica, ao ver que o mundo estava corrompido Deus mandou o dilúvio para exterminar a vida terrena, salvando apenas Noé, sua família, e um casal de cada animal. Há que se compreender que, à época, o mundo não era globalizado, como hoje. Por isso um território hoje considerado pequeno, um determinado país da atualidade, podia ser considerado naqueles tempos o mundo todo. Desta forma, como aponta Thiago Lotufo, em artigo publicado pela revista Super Interessante:

Os cientistas não acreditam que houve um único dilúvio universal, mas, sim, que muitos povos guardaram a lembrança de um dilúvio local e a repassaram num sentido mais amplo. A história bíblica da Arca de Noé, nesse caso, é somente a mais conhecida no mundo ocidental. Só que, para teólogos e historiadores, o dilúvio não passa de uma representação simbólica, sem ligação com nenhum evento histórico que possa ter ocorrido há milhares de anos.

Conceito não compartilhado pelos oceanógrafos americanos William Ryan e Walter Pitman, pois para eles,

a partir da análise de fósseis e sedimentos marinhos, o dilúvio foi uma invasão colossal do Mar Negro pelas águas do Mediterrâneo. O fato teria ocorrido cerca de 7 500 anos atrás, como consequência do degelo das calotas polares do último período glacial (há cerca de 12 mil anos).

O gelo derretido elevou o nível dos oceanos e rompeu uma barreira natural que impedia a passagem da água do Mediterrâneo para o Mar Negro (que era de água doce). O nível deste subiu 15 centímetros por dia e, em três anos, ficou 150 metros mais profundo.

Em pesquisa na Internet, encontramos que a Terra foi formada em torno de 4,54 bilhões de anos atrás, aproximadamente um terço da idade estimada do universo, por acreção da nebulosa solar. Em astrofísica, acreção é a acumulação de matéria na superfície de um astro, por intermédio da ação da gravidade. A maioria dos objetos astronômicos, como galáxias, estrelas e planetas, é formada por processos de acreção.

Dizer, neste momento, quais serão as “revoluções” pelas quais o Planeta Terra e os que nele habitam passarão seria realizar uma profecia de alto quilate – não nos colocamos neste ponto. Porém, podemos trazer à lembrança algumas: a verticalização do eixo da Terra; as transformações dos corpos humanos, cada vez menos necessitados de alimentação como ocorre hoje; o texto do Apocalipse de Jesus que trata do Armagedom (Apocalipse, XVI: 16), isto é, a GUERRA FINAL E TOTAL, a qual, conforme o profeta Isaías (24: 20), “fará a terra cambalear como um bêbedo”; e não menos importante o texto do capítulo 21 do mesmo livro, quando se anuncia novo céu e nova terra, pois que os primeiros passaram.

Eis algumas das possíveis revoluções pelas quais a Terra passará na sua trajetória a caminho de se tornar um mundo fluídico.

E num período de 4,54 bilhões de anos, quantas vezes pode o espírito passar pela Terra, reencarnando? E quanto tempo haverá ainda desde agora até atingirmos cada um de nós o estágio de espíritos perfeitos vivendo num mundo fluídico? Quantas vezes teremos que encarnar na Terra ou em outros mundos? Para que possamos fazer uma ideia desse percurso, preciso é que entendamos o caminho já percorrido.

 

CRIAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO SER ESPIRITUAL

Os espíritos são criados simples e ignorantes. Antes de “nascerem” como espíritos, considerados “em formação”, passam pelos reinos primitivos da natureza: mineral, vegetal, animal.

Neste último, os naturalistas incluíram o homem, considerando-o pelo aspecto físico. Considerado, todavia, em sua integralidade, o homem distingue-se de todos os outros seres pela inteligência e racionalidade. Destaca-se, portanto, dos animais por qualidades que não pertencem à matéria, por isso mesmo diz-se que são atributos do espírito – o que nos leva a identificar que existe na natureza o quarto reino, ou seja, o hominal, fase em que – como veremos adiante – já não se trata mais do ser em formação, mas do espírito propriamente dito.

Vamos abrir parênteses para destacar que a espiritualidade já nos informou que não para por aí: há um conceito de um novo reino surgindo na humanidade. Trata-se da Era do Homem Espiritual. Não confundir com espírito; é Homem espiritual, ou seja, homem vivendo com a cabeça iluminada pela espiritualidade.

Retornando: além de passar por todos os reinos, o ser espiritual “em formação” passa, igualmente, pelas fases que intermedeiam cada dois desses reinos, ou seja, entre os reinos mineral e vegetal, entre o vegetal e o animal, entre o animal e o hominal. Nessas fases intermediárias atuam tanto em um quanto em outro reino, mas de forma tão sutil que é difícil determinar, entre elas, a qual o ser pertence.

 

CARACTERÍSTICAS DO REINO MINERAL

O reino mineral é caracterizado pela ausência de vida, ou seja, é matéria inerte. Possui a força mecânica. Não tem movimentos próprios: não se vê por aí um cristal passeando no parque. O mineral é formado apenas pela agregação da matéria.

É notório que o mineral é um corpo natural sólido e cristalino formado pelo resultado de processos físico-químicos em ambientes geológicos e possui como características a cor, o brilho, a dureza, a clivagem, ou seja, fragmentação, o traço, a densidade e a tenacidade. Constitui os seres brutos ou inorgânicos. Está submetido às forças de atração e repulsão, que terão um efeito evolutivo sobre o princípio espiritual, especialmente em sua estrutura energética inicial, conforme orientação de Joana de Ângelis.

A essência espiritual, que no mineral reside, não é uma individualidade. Ela forma um conjunto que se personifica, que se divide quando há divisão na massa em consequência da extração, atingindo, desse modo, a individualidade.

Não se diz que a essência espiritual “encarna” no mineral, mas que se materializa. E essa materialização ocorre infinitas vezes, tantas quantas necessárias a prepará-la para passar pelas formas intermediárias que participam do mineral e do vegetal.

Quando se opera a retirada do mineral, a essência espiritual é TRANSPORTADA para outro ponto. Pode-se a isso chamar “morte” do mineral.

É muito tempo que a essência espiritual fica em cada etapa dessa fase, um tempo que não somos capazes de imaginar.

 

A ESSÊNCIA ESPIRITUAL NO REINO VEGETAL

No reino vegetal a existência material – contrário do que ocorre no mineral – é mais curta, porém mais progressiva. E já que a palavra-chave para o reino mineral é atração, para o reino vegetal é sensibilidade.

Em sua trajetória, após passar pelo reino mineral e pelas espécies intermediárias entre os reinos mineral e vegetal, a essência espiritual ingressa, efetivamente, no reino vegetal. Aí começa a desenvolver funções mais complexas, tais como as sensações rudimentares, a respiração, a alimentação, a sensibilidade. Todavia, ainda não tem consciência de si.

Embora a matéria seja inerte, tem vitalidade, ou seja, mesmo não havendo consciência nem sofrimento, a essência espiritual experimenta uma sensação. É como que uma repercussão que vai de um ponto a outro, particularmente quando a planta é violentamente arrancada do solo. É um abalo magnético que prepara o espírito em formação para o desenvolvimento do seu ser. É semelhante àquele “choque” que se experimenta quando batemos o cotovelo num móvel.

Quando a planta “morre”, a essência espiritual é transportada para outro ponto.

Depois de ter passado pelas necessárias e sucessivas materializações no reino vegetal, vai para as espécies intermediárias entre o vegetal e o animal. E só depois dessas é que começa a ter a impressão de um ato exterior, mas não possui consciência de causa e efeito. Adquire, então, a sensação de sofrimento.

 

O “SER EM FORMAÇÃO” NO ANIMAL

Ao entrar efetivamente na espécie animal, a essência espiritual – perceba-se que não se fala em espírito – começa a desenvolver o que será, um dia, a inteligência. A isto se dá o nome de “instinto”. É o que se pode chamar de embrião da inteligência, pois cuida da conservação, das necessidades físicas e tudo o mais que a vida material exige.

A vontade e as faculdades, nesse período, são limitadas à conservação, reprodução e destruição daquilo que lhe compete dentro da vida e da harmonia universal.

A palavra-chave desse reino é INSTINTO. O animal possui vitalidade, inteligência instintiva e individualidade.

Ainda aí, o “ser espiritual em formação” passa por todas as fases sucessivas e necessárias ao seu desenvolvimento até chegar às formas e espécies intermediárias, que participam tanto do animal quanto do homem.

 

OS ESTADOS DE INOCÊNCIA E IGNORÂNCIA

Depois de passar por todas as etapas para atingir um determinado grau de inteligência, chega a um estágio de preparação para o estado espiritual consciente. É o ponto que delimita o cessar do instinto e o começar do pensamento. É nesse momento que surgem os estados de inocência e de ignorância.

Aqui, podemos fazer uma comparação – para tornar claro o entendimento – de todas essas etapas ao que se sucede com o feto. E isso é mesmo só uma comparação, pois, em verdade, muitas são as diferenças entre ambos – a que, de pronto, pode-se identificar é o tempo. O tempo do feto, desde a pré-existência do espermatozoide e do óvulo (que se juntam para haver a fecundação) até ao nascimento é infinitamente pequeno comparado ao infinitamente grande da essência espiritual que se materializa no mineral, no vegetal e no animal até ao seu “nascimento” para o estado espiritual consciente.

Chegado nesse momento de estado de ignorância e inocência, a vontade do Senhor onipotente lhes dá a consciência de suas faculdades e, por conseguinte, de seus atos. Consciência que produz o livre-arbítrio, a vida moral, a inteligência independente e capaz de raciocínio e, não menos importante, a responsabilidade. Então, o espírito terá dois caminhos (agora já se fala em espírito).

De posse do livre-arbítrio, podendo escolher o caminho que prefira seguir, o espírito é subordinado a outros, prepostos ao seu desenvolvimento. É então que a vontade traça uma direção boa ou má ao espírito que, assim, pode falir ou simplesmente e gradualmente seguir o caminho indicado para o seu progresso.

Os que seguem as orientações de seus guias, mantendo-se puros na infância, na fase de instrução e ao longo da longa jornada de progresso, percorrem todas as esferas, todos os mundos inferiores e superiores, sempre na qualidade de espíritos.

Os que não tomam a direção acima apontada, ou seja, não dão ouvidos aos seus guias, e preferem falir, subdividem-se dois grupos:

O primeiro grupo é formado por aqueles espíritos que, tão logo têm consciência de si mesmos, enveredam, desde já, pelo caminho da queda. O segundo, formado por espíritos que, inicialmente dóceis aos seus guias, se deixam atrair por sentimentos que os arrastam à queda muito tempo depois de trilharem o caminho reto inicial. Importante destacar que o espírito cai por si, nenhum outro o arrasta à queda. Mesmo que haja da parte de outro espírito a “orientação” ao mal, aquele só o pratica se o quiser.

Num caso ou no outro, as causas da queda são sempre as mesmas: orgulho, inveja e ateísmo. Pasmem: ateísmo!

Mas como esses sentimentos nascem no espírito, se todos são criados simples e ignorantes? Ignorantes no sentido de ignorar, não saber, desconhecer a existência de algo. Não é no sentido de ser estúpido, mal-educado, grosseiro.

Para decifrar esse enigma, é preciso que entendamos o que acontece na fase denominada “infância do espírito”.

Suficientemente desenvolvido no estado animal, o ser em formação (que será espírito) é, de certo modo, restituído ao todo universal, mas em condições especiais. É conduzido às regiões preparativas, pois lhe cumpre achar o meio onde se elaboram os princípios constitutivos do perispírito. Então, fraco raio de luz, se vê lançado numa massa de vapores que o envolvem. Entra num estado que se pode chamar “letargia”, momento em que o perispírito se desenvolve.

Quando está pronto, o espírito sai do torpor em que estava e solta seu primeiro brado de admiração – o que faz lembrar o nascimento das crianças que, ao nascerem, dão o seu primeiro “choro” de vida. É quando os altos espíritos que cuidam da educação dos que se encontram no estado de simplicidade e ignorância, o encaminham para as esferas fluídicas onde deve ficar para desenvolver-se moral e intelectualmente até ao momento em que estiver pronto para o uso completo de suas faculdades. Os guias ensinam o que é o livre-arbítrio e o uso que pode fazer dele. Ademais, aconselham o espírito a manter-se em guarda contra os perigos com que venha a se deparar.

Levam-no depois ao estudo dos fluidos e estuda os mistérios da formação dos mundos. Depois, desce às regiões inferiores para aprender a dirigir os princípios orgânicos de tudo o que é em todos os reinos da natureza. Em seguida, nas esferas mais elevadas aprende a dirigir os fenômenos atmosféricos e geológicos.

Mas quando o livre-arbítrio atinge um desenvolvimento completo, o espírito faz dele bom ou mau uso. É aí que geralmente cai. Fica deslumbrado com o conhecimento adquirido e já tendo grande poder sobre as regiões inferiores, cujo governo aprende a exercer no sentido de que aprende a dirigir a revolução das estações, a regular a fertilidade do solo, a guiar os encarnados, e por acreditar que só deve a si mesmo o que pode fazer, desprezando todos os conselhos dos seus guias, entrega-se ao orgulho. Resultado: queda fatal!

Outro grupo não compreende a ação poderosa de Deus, não admite que haja uma hierarquia espiritual, e acusa Deus de injustiça. Isso é a inveja, cujo resultado não pode ser outro senão queda.

E o mais terrível, porque neste caso o castigo é mais severo, há os espíritos que, por não verem aquele de quem tudo emana, ou seja, Deus, negam-lhe a existência.

Consequência de qualquer uma dessas falhas: são precipitados na encarnação humana, conforme o grau da culpa, pela necessidade de expiar e progredir, pois é preciso que o culpado – no seu próprio interesse – sinta o peso da mão cuja existência não quis reconhecer.

É aí que surge, então, o reino hominal, cuja palavra-chave é RAZÃO. O homem é dotado de individualidade, vitalidade, inteligência ilimitada, livre-arbítrio (este relativo devido à Lei de causa e efeito), consciência do futuro, percepção das coisas extra materiais e conhecimento de Deus.

E como o castigo não pode preceder à culpa, tem-se que todos nós encarnados fazemos parte desse grupo que faliu, que se voltou – de alguma forma – contra Deus. Ou nos deixamos arrastar pelo orgulho, pela inveja ou pelo ateísmo. Todos, sem exceção, pois – repito – o castigo não pode preceder à culpa. Mas que não seja isso motivo para desistirmos. Importa saber que, depois de repararmos nossas faltas, atingiremos a perfeição – como é a vontade do Cristo e pelo que Ele ardentemente se esforça. Por isso, muito nítida a sua vontade expressa no Evangelho, segundo Mateus, cap. V, v. 48: “Sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai Celeste”.

 

JESUS – O DIVINO MODELO

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, afirmou o Cristo. Jesus é o exemplo do espírito puro que, desde a fase de ignorância e inocência, sempre seguiu os conselhos dos seus guias e foi, gradualmente, sem falir, alcançando os graus evolutivos, até chegar ao ponto de receber do Pai Celestial a incumbência de organizar um planeta e governá-lo. Foi aí que pôde dizer: “EU E O PAI SOMOS UM!’.

Sua evolução deu-se, a demonstrar, quase que “em linha reta”, enquanto que nós ficamos a dar voltas e mais voltas. É como se saíssemos da cidade de São Paulo com destino ao Rio de Janeiro. Todos fomos informados do caminho, inclusive dos problemas que poderíamos encontrar. Jesus tomou essa informação e seguiu reto pela rodovia até chegar ao destino.

Nós, saindo da capital paulista, paramos para visitar um amigo que mora em Guarulhos. Aí, nos envolvemos em situações que nos prendem, aí ficamos dez, vinte dias, um mês, um século, e por aí vai… Depois de um tempo mais ou menos longo retomamos a rodovia no mesmo ponto em que a deixáramos. Mas, passando por Taubaté, resolvemos parar de novo, onde criamos novos problemas que nos impedem de seguir viagem. Depois noutra cidade, e noutra, e noutra, até que, finalmente, chegamos ao destino.

Quanto tempo dispendemos nessa viagem? Dez, vinte dias, um mês, um século, um milênio, vários milênios… Enquanto isso, Jesus já chegou lá!

Mas – percebam – ao chegar todos nós estaremos no mesmo lugar, na cidade maravilhosa, pois “o Rio de Janeiro continua lindo”. Só que Jesus tem uma vantagem sobre nós: é que Ele, por chegar antes, já conhece todos os ambientes da cidade, todos os becos, todas as ruas, todos os caminhos e nós ainda nem sabemos bem onde estamos.

Este é o nosso divino modelo – Jesus Cristo. É Ele que todos nós devemos seguir. Todos nós – repito.

Um fraternal abraço a todos.

 

BIBLIOGRAFIA

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KARDEC, Allan. A Gênese. Tradução de Victor Tollendal Pacheco. São Paulo: LAKE. 21ª edição. 2003.

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