O Melão-de-São-Caetano (Momordica charantia), é uma planta que faz parte da família das Cucurbitaceae e é proveniente de regiões no leste da Índia e sul da China. Foi trazida da África ao Brasil pelos escravos que usavam o seu chá em banhos para facilitar o parto e para baixar febres. No Brasil, é conhecido por nomes populares como Erva-de-São-Caetano, Fruto de Cobra, Erva-das-Lavadeira e Melãozinho.

Seu nome Melão-de-São-Caetano se deve aos escravos que se estabeleceram na região das minas auríferas e plantaram ao redor de uma capelinha em Mariana. O padroeiro da capela era São Caetano e os frutos parecidos com melão. Daí o nome Melão-de-São-Caetano.

É uma trepadeira de cheiro desagradável que se espalha rápido cobrindo cercas, árvores e o próprio chão, com flores amareladas ou esbranquiçadas, folhas palmatífidas e fruto dourado que se abre em válvulas espinhosas, parecendo uma cápsula coberta de protuberâncias moles, de consciência carnosa, amarelo avermelhado quando maduros. As semente são comidas pelas crianças e muito procuradas pelos passarinhos. Suas folhas clareiam a roupa e tiram machas. Todo o fruto é comestível quando novo.

Pode ser facilmente encontrado em locais como pomares, hortas, cafezais, cercas, alambrados e terrenos baldios, sendo o seu tipo mais selvagem considerado uma erva daninha.

No Brasil, os frutos são consumidos principalmente pela comunidade nipo-brasileira. São colhidos e vendidos verdes em feiras livres na cidade de São Paulo onde se concentram estas comunidades. Podem ser consumidos também em alguns restaurantes japoneses mais tradicionais. São popularmente conhecidos entre eles como nigauri, nigagori ou goya, sendo esta última denominação utilizada pelos descendentes provindos da província de Okinawa, onde consome-se muito este fruto.

Desde a antiguidade já era utilizado na medicina, principalmente pelas tribos existentes na Amazônia. As lavadeiras utilizavam esta erva como clareador de roupas e tirador de manchas em geral. Suas propriedades medicinais são poderosas e vários estudos indicam que esta ele consegue destruir até 98% das células tumorais, além de ser eficaz no tratamento de outras doenças.

Seu uso é indicado no tratamento de inflamações hepáticas, dores articulares, diabetes, eczemas, cólicas abdominais, edemas inflamatórios, problemas de pele, faringites, queimaduras com leucorréias purulentas, gripes, furúnculos, hemorróidas, febres intermitentes, prisão de ventre, tosse, catarro amarelo, irritação vaginal, menstruação e TPM, picadas de inseto, úlceras, dores de ouvido e dores reumáticas.

Seus benefícios são possíveis devido às propriedades que possuem ação como: purgativo, vermífugo, antiparasitário, antileucorréico, bactericida, hipoglicemiante, antileucêmico, anticancerígeno, antitumoral, anti-inflamatório, afrodisíaco, antimicótico, cicatrizante, depurativo do sangue, adstringente, anticatarral, antirreumático e antiviral.

É importante lembrar que não é por ser um produto natural, que pode ser utilizado de qualquer maneira e para qualquer pessoa.

As sementes possuem compostos tóxicos e, portanto, não devem ser consumidas em grandes quantidades. Pode causar queda drástica da glicose sanguínea, aborto e pode ter ação teratogênica. Quando em excesso, pode causar vômito e diarréia. Não deve ser consumida em conjunto com clorpropamida, drogas antidiabéticas e drogas redutoras do colesterol, pois potencializa seus efeitos. Embora não tenha efeitos sobre as leveduras e fungos, seu uso prolongado pode prejudicar a flora bacteriana fisiológica levando ao crescimento de certas leveduras oportunistas, como a Cândida.

Sua eficácia contra o câncer é praticamente equivalente a uma quimioterapia. Inclusive funciona no tratamento do câncer de pâncreas, um dos mais difíceis de se combater. O suco do vegetal, na concentração de 5% em água mostrou ter um potencial assombroso de lutar contra o crescimento dos quatro tipos de câncer pancreáticos pesquisados, dois dos quais foram reduzidos em 90%, e os outros em incríveis 98% após o tratamento.

O suco do Melão-de-São-Caetano induz as células cancerígenas à apoptose, que é a resposta natural de um organismo à presença de células anormais, induzindo-as ao suicídio. Essa morte programada ocorre por vários caminhos diferentes e esta planta o faz, induzindo ao colapso do metabolismo de alimentação por glicose das células doentes, ou seja, priva-as do açúcar que elas necessitam para sobreviver.

Pesquisadores da Universidade de Colorado, nos EUA, aplicaram doses em ratos que seriam proporcionais a humanos, e eles apresentaram uma redução em 64% do tamanho de seus tumores, sem efeitos colaterais. Esse nível de melhora ultrapassa os alcançados atualmente com o uso de quimioterapia para um tipo de câncer tão letal. O responsável pela pesquisa na universidade, Dr Rajesh Agarwal, observou o costume chinês e indiano de usar o fruto em remédios para diabetes. Vendo que esta doença tende a vir antes do câncer pancreático, o doutor associou as idéias, criando novos rumos nas investigações existentes. Os grandes laboratórios e companhias farmacêuticas buscam incessantemente produtos patenteáveis que obtenham o mesmo resultado que existe naturalmente nesse vegetal e ficam perplexos com a simplicidade da planta em destruir o câncer sem precisar de nenhuma química complexa.

Na Universidade de Saint Louis, nos EUA, pesquisas similares testaram primeiramente em células de câncer de mama e próstata e depois experimentando em cânceres da cabeça e pescoço, que embora representem 6% apenas dos casos, são agressivos e se espalham facilmente, começando por vezes pela boca, garganta, nariz. Com efeito, após quatro semanas de tratamento controlado em animais, o volume e crescimento dos tumores reduziu.

Todas as células cancerosas mostram uma produção anormal de energia que utiliza fermentação ineficiente de glicose. O Melão-de-São-Caetano pode ser um excelente aliado ao combate dessa produção de energia anormal, e assim ser um dos meios naturais de combate ao câncer e muitas outras doenças que afetam a humanidade.

Por Leslie Avila

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