O mês de setembro esteve aí, e com ele veio a intensificação ao combate e a prevenção ao suicídio. O dia 10 foi considerado o dia oficial, mas a campanha se estende por todos os meses do ano.

No Brasil são registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos, e 1 milhão em todo mundo, o que acaba se tornando um problema grave de saúde pública. O maior índice de suicídios está entre os jovens, onde 98% dos casos estão relacionados a transtornos mentais (em primeiro lugar a depressão, seguido por transtornos bipolar e abuso de substâncias).

O suicídio é um fenômeno presente desde o início da humanidade, causado por fatores psicológicos, biológicos, genéticos, culturais e socioambientais, que vão se acumulando na história do indivíduo, fazendo com que não seja um fator único como muitos pensam.

A prevenção não é mais uma questão apenas de saúde pública, e sim da sociedade como um todo. Na era em que vivemos um “bum” da tecnologia, onde quase tudo se resolve pelo celular, aplicativos e “redes sociais”, a falta do contato humano (o olho no olho, o abraço, o falar e o ouvir etc.) é extremamente prejudicial para o reconhecimento deste distúrbio.

Em 2014 a Associação Brasileira de psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM), lançaram uma cartilha chamada: Suicídio, informando para prevenir. Nesta cartilha foram expostos alguns mitos sobre o suicídio, tais como:

(MITO) O suicídio é uma decisão individual, já que cada um tem pleno direito a exercitar o seu livre arbítrio.

(VERDADE) Os suicidas estão passando quase invariavelmente por uma doença mental que altera, de forma radical, a sua percepção da realidade e interfere em seu livre arbítrio. O tratamento eficaz da doença mental é o pilar mais importante da prevenção do suicídio. Após o tratamento da doença mental o desejo de se matar desaparece.

 

O que posso fazer para ajudar alguém que pensa em suicídio?

 

Em algum momento da sua vida, você pode deparar com uma situação em que a pessoa demonstra estar querendo tirar a sua própria vida, diante de uma situação como essa, a sensação de impotência pode aparecer, fazendo com que você pense que não pode fazer nada para ajudá-la.

Existem diversas maneiras de ajudar uma pessoa potencialmente suicida. Se houver suspeita, converse diretamente com ela, um diálogo aberto, respeitoso, demonstrando empatia e compreensão, pode fazer toda a diferença.

Procure saber como ela está, o que tem feito ultimamente, como ela está se sentindo, lembrando que o foco da conversa é ela, e não você, mesmo que a pessoa tente desconversar, é recomendável não falar muito sobre si, e sim deixar com que a pessoa expresse o que está acontecendo, não oferecer opções simples para os problemas que a pessoa relatar e muito menos desmerecer o que ela está sentindo.

Tente conversar com ela em um ambiente calmo, tranquilo, sem pressa, respeitando o tempo dela para que possa se abrir de verdade. E quando a pessoa relatar o que está havendo, evite comentários como “Credo, que horror, isso é um pecado!”, esboçar expressões de choque “Eu não acredito que você está pensando nisso!”, e não reprimir seus sentimentos caso a pessoa venha a chorar, dizendo “pare de chorar, você sempre teve tudo de bom na vida…”.

A escuta ativa deve estar sempre presente nesse diálogo, mas isso não quer dizer que você tenha que deixá-la falando sozinha, saber realmente ouvir e compreender o que ela está passando, ajuda muito no processo de cura, fazer um breve resumo do que ela disse, demonstra que você está ouvindo atento todo seu relato, e não se preocupe em voltar em algum assunto que ficou sem esclarecimento, ou pendente, quanto mais o potencial suicida falar, melhor para que ele saia desse quadro e vá procurar ajuda profissional.

Se você perceber que a pessoa não se sente a vontade de se abrir ou falar sobre o que está passando, deixe bem claro para ela que você está disponível para conversar em outra oportunidade. Indique alguma instituição de suporte a vida, ou de o telefone 188 para que ela possa falar sobre o que sente no momento.

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